Museu Demo de Arte Brasileira
Exposição

Modernismo Brasileiro: 1922–1945

Da Semana de 22 ao expressionismo social: três décadas de invenção de uma arte brasileira.

A Semana de Arte Moderna de 1922 não foi um ponto de chegada — foi a senha. Quando Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti subiram ao palco do Teatro Municipal de São Paulo, ninguém ainda chamava aquilo de "modernismo brasileiro". Mas a partir daquela noite, pintar uma boba, um operário, um lavrador de café ou uma figura antropófaga não era mais escolher um tema: era escolher um país.

Esta exposição reúne doze obras-chave de três décadas em que o Brasil aprendeu a se olhar sem o filtro europeu. Da fase Pau-Brasil (1924–1928) à Antropofagia (1928–1929) e ao realismo social dos anos 30 e 40, a curadoria propõe um percurso cronológico que coloca lado a lado Tarsila, Portinari, Anita e Di Cavalcanti — e revela como cada um, à sua maneira, respondeu à mesma pergunta: o que é uma arte feita por brasileiros, para brasileiros, sobre o Brasil?

Antes da Semana, a pintura brasileira ainda olhava para Paris. Anita Malfatti, recém-chegada da Europa, trouxe o expressionismo alemão na bagagem — e foi crucificada pela crítica conservadora. O Homem Amarelo e A Boba, expostos em 1917, são os primeiros tiros do que se tornaria o modernismo brasileiro.

A virada de 1922

O Homem Amarelo
O Homem Amarelo · Anita Malfatti · 1915-1916 · Óleo sobre tela

Pau-Brasil e Antropofagia

Tarsila do Amaral consolida, entre 1923 e 1929, dois movimentos que reorganizam a arte brasileira. O Pau-Brasil propõe uma poesia da terra; a Antropofagia, com Abaporu, devora a cultura europeia e a transforma em algo radicalmente brasileiro. Di Cavalcanti, em paralelo, inventa um repertório próprio de mulheres tropicais.

A Negra
A Negra · Tarsila do Amaral · 1923 · Óleo sobre tela
Pintura modernista mostrando uma figura humana sentada com braços e pés gigantes em desproporção, cabeça pequena, ao lado de um cacto e sol amarelo sobre fundo verde.
Abaporu · Tarsila do Amaral · 1928 · Óleo sobre tela
Antropofagia
Antropofagia · Tarsila do Amaral · 1929 · Óleo sobre tela
Cinco Moças de Guaratinguetá
Cinco Moças de Guaratinguetá · Di Cavalcanti · 1930 · Óleo sobre tela

Anos 30–40: o realismo social

Com o avanço da urbanização e o trauma da Segunda Guerra, Portinari assume o papel de pintor-cronista do Brasil. Lavradores, retirantes, operários e mestiços ocupam o primeiro plano — não como tipos folclóricos, mas como protagonistas monumentais da história nacional. Tarsila, em sua fase social, segue caminho semelhante com Operários.

O Lavrador de Café
O Lavrador de Café · Candido Portinari · 1934 · Óleo sobre tela
Café
Café · Candido Portinari · 1935 · Óleo sobre tela
Retirantes
Retirantes · Candido Portinari · 1944 · Óleo sobre tela
Mestiço
Mestiço · Candido Portinari · 1934 · Óleo sobre tela
Operários
Operários · Tarsila do Amaral · 1933 · Óleo sobre tela